terça-feira, 22 de setembro de 2026

Marcel Proust - A Prisioneira (Para voltar a Albertine)

em busca do tempo perdido

volume V
A Prisioneira

continuando...

      Para voltar a Albertine, jamais conheci mulheres mais dotadas do que ela da engenhosa aptidão para a mentira animada, colorida com os próprios matizes da vida, a não ser uma de suas amigas uma das minhas moças em flor também, rósea como Albertine, mas cujo perfil irregular, reentrante aqui, além proeminente, depois de novo reentrante, parecia-se exatamente a certos cachos de flores róseas de cujo nome não me recordo e que têm, da mesma forma, longas e sinuosas reentrâncias. Esta moça era, do ponto de vista da fabulação, superior a Albertine pois, naquilo que contava, não misturava nenhum dos momentos dolorosos e subentendidos coléricos que eram freqüentes na minha amiga. No entanto, falei que era encantadora quando inventava um relato que não deixava lugar a dúvidas, pois então víamos à nossa frente a coisa - todavia imaginada - que ela dizia, servindo de vista a sua palavra. Era a minha verdadeira percepção. Acrescentei: "o que ela confessava", e eis o motivo: às vezes certas aproximações singulares me despertavam suspeitas ciumentas em que, ao lado delas figurava no passado ou, ai de mim, no futuro, uma outra pessoa. Para ter certeza do que imaginava, dizia o nome e Albertine falava: 

- Sim, encontrei-a há oito dias a poucos passos da casa. Por delicadeza, respondi ao seu cumprimento. Dei alguns passos com ela. Mas nunca houve nada entre nós e jamais haverá. -

     Ora, Albertine nem sequer se encontrara com essa pessoa, pela boa razão de que esta não vinha à Paris há dez meses. Mas minha amiga achava que negar completamente era pouco verossímil. De onde esse curto encontro fictício, narrado com tanta simplicidade que eu via a senhora, para dar-lhe bom dia, caminhar um pouco na sua companhia. Somente a verossimilhança havia inspirado Albertine, de modo algum o desejo de provocar ciúmes. Pois Albertine, talvez sem interesse, gostava que lhe fizessem gentilezas. Ora, se no decorrer desta narrativa já tive e ainda terei muitas oportunidades de mostrar como o ciúme reduplica o amor, foi no ponto de vista do amante que me coloquei. Porém, por menos brio que este possua, mesmo que deva morrer após a separação, não responderá a uma traição suposta com uma gentileza; ou se afastará ou, sem afastar-se, resolverá fingir indiferença. Portanto, é em pura perda para si mesma que a amante o faz sofrer tanto. Ao contrário, se dissipar com uma palavra adequada e suaves carinhos as suspeitas que o torturavam, embora bancasse o indiferente, sem dúvida o amante sentirá aquele aumento desesperado do amor a que o eleva o ciúme, porém, deixando bruscamente de sofrer, feliz, enternecido, acalmado como se é depois de uma tempestade, quando a chuva caiu e mal se percebe ainda, sob os grandes castanheiros, pingarem a longos intervalos as gotas suspensas, coloridas pelo sol que já reapareceu, não sabe ele como exprimir o seu reconhecimento àquela que o fez curar-se. Albertine sabia que eu gostava de recompensá-la por suas gentilezas, e isso talvez explicava que ela inventasse, para se inocentar, confissões naturais como essas histórias que eu não punha em dúvida, e uma das quais fora o seu encontro com Bergotte quando ele já estava morto. Até então, das mentiras de Albertine eu só conhecia aquelas que, por exemplo, contara-me Françoise em Balbec, a que não me referi apesar de me terem feito muito mal.

"Como não queria vir, ela me disse: Será que não podia dizer a ele que não me encontrou, que eu tinha saído?"

     Mas os "inferiores" que nos amam, como Françoise me amava, têm prazer em ferir o nosso amor próprio.
     Depois do jantar, disse a Albertine que desejava aproveitar o fato de haver deixado a cama para visitar alguns amigos, a Sra. de Villeparisis, a Sra. de Guermantes, os Cambremer, não sabia quantos, mas aqueles que encontrasse em casa. Silenciei apenas os nomes a cuja residência pretendia ir, os Verdurin. Perguntei a Albertine se não queria ir comigo. Alegou que não tinha vestido. 

- E além disso, estou tão mal penteada. Você faz questão que eu continue a usar este penteado?

     E, para se despedir, estendeu-me a mão com aquele modo brusco, de braço esticado, aprumando os ombros, que tivera outrora na praia de Balbec, e que nunca mais mostrara. Este movimento esquecido refez do corpo animado por ele o daquela Albertine que mal me conhecia ainda. Devolveu a Albertine, cerimoniosa sob a capa da brusquidão, a sua novidade primeira, o seu mistério, e até o seu ambiente. Enxerguei o mar por detrás daquela moça a quem jamais vira cumprimentar-me daquele modo desde que eu voltara de Balbec. 

- Minha tia acha que isso me envelhece - acrescentou com ar de tédio. -

"Tomara que esteja certa", pensei. "Tudo o que a Sra. Bontemps deseja é que Albertine, parecendo uma menina, a faça parecer mais jovem; e mais, que Albertine não lhe custe nada até o dia em que, casando comigo, lhe traga vantagens." Mas que Albertine parecesse menos jovem, menos bonita, fizesse voltarem-se menos na rua para vê-la, eis o que eu, pelo contrário, desejava. Pois a velhice de uma aia não é tranquilizadora para um amante ciumento como a velhice do rosto daquela a quem ama. Só me incomodava que o penteado que lhe pedira que adotasse pudesse parecer a Albertine uma reclusão a mais. E ainda foi este sentimento doméstico novo que não cessou de me ligar a Albertine, mesmo longe dela.

     Depois de dizer a Albertine, pouco disposta, segundo me confessara, a me acompanhar à casa dos Guermantes ou dos Cambremer, que não sabia aonde iria, para a casa dos Verdurin. No momento em que saía e que a ideia do concerto me recordou a cena da tarde: "grandessíssima puta, grandessíssima que iria ouvir lá por despeitado, talvez do amor ciumento, mas desse modo tão bestial como a que excetuadas as palavras, poderia fazer a uma mulher um orangotango enamorado dela. No momento em que na rua ia chamar um fiacre, ouvi de um homem que estava sentado num frade-de pedra; soluços reprimidos, com o rosto nas mãos, parecia jovem e fiquei surpreendido à elegância; que parecia, pela brancura que saía da capa, que estava vestindo. Ao ouvir-me, descobriu o rosto inundado em lágrimas, havia me reconhecido e desviou a cara. Era Morel. Compreendeu que eu o reconhecia logo, tentando estancar as lágrimas, disse que havia parado um momento porque estava desesperado. 

- Hoje mesmo insultei grosseiramente - disse ele - uma pessoa que nutro sentimentos elevados. Foi covardia, pois ela me ama.
- Talvez esqueça com o tempo - respondi, sem pensar, falando dessa maneira dava a entender que ouvira a cena da tarde. Mas ele estava tão absorto em suas preocupações que nem lhe ocorreu que eu pudesse saber de alguma coisa. 
- Talvez mágoas que possa esquecer - Eu e que não poderei esquecer. Tenho e noção da minha vergonha. Mas enfim está dito, nada pode fazer que não tenha sido dito. Quando tenho raiva, não sei mais o que faço. E isso é tão ruim para mim. Quando sinto os nervos transtornados preocupo-me.

     Pois Morel como todo neurastênico preocupava-se grandemente com a saúde.
     Se, de tarde, eu vira um animal furioso cólera amor, agora, à noitinha, em poucas horas havia um sentimento novo, um sentimento de vergonha, arrependimento; decorridos, todos entrecruzados uns pelos outros pois, como todos mostrava que uma grande etapa fora vencida na evolução da besta a se transformar em ser humano. Apesar de tudo, eu ouvia sempre besta desistir à "grandessíssima puta" e temia uma recorrência próxima ao estado selvagem. Aliás, mal sabia o que se havia passado, e isto era tanto mais natural quanto compreender; pois o Sr. de Charlus ignorava inteiramente que, desde alguns dias em particular naquele dia vergonhoso, não se referia diretamente ao próprio, com o violinista. Morel tivera nova crise de neurastenia. De fato, mesmo antes Morel havia apressado o quanto pudera, para o mês anterior a sedução da sobrinha de Jupien, com que na qualidade de noivo, desejara que saísse a seu gosto. Porém logo que fora um pouco longe demais em suas tentativas encontrara uma resistência que o tinha exasperado; e sobretudo quando falara à noiva que se unisse a outras moças que o proporcionariam. Fosse por que ela se mostrasse excessivamente casta, ou pelo contrário, se tivesse cedido; seu desejo passou podia sair muito mais lentamente. Resolvera romper, receou que ela o pusesse no olho do barão quando soubesse do rompimento. Pois o barão era mais moral, conquanto vicioso, e talvez rompesse com ele. Assim, decidira há cerca de quinze dias não voltar a ver a noiva. De repente sentindo que era melhor deixar que o Sr. de Charlus e Jupien se arranjassem e, antes de anunciar a ruptura, resolvera sair pela rua sem destino. Fora sem dizer para onde.
     O Amor, cujo desenlace o deixava um pouco triste; de modo que, embora a conduta que tivera com a sobrinha de Jupien pudesse perfeitamente superpor-se, nos menores detalhes, àquela sobre a qual teorizara diante do barão enquanto jantavam em Saint-Mars-le-Vêtu, é bem provável que fossem muito diferentes e que sentimentos menos atrozes, e que não previra em sua conduta teórica, haviam embelezado e tornado sentimental sua conduta verdadeira. O único ponto em que, ao contrário, a realidade era pior que o projeto, é que no projeto não lhe parecia possível permanecer em Paris depois de tamanha traição. Agora, "dar o fora" lhe parecia demais por uma coisa tão simples. Seria deixar o barão, que certamente ficaria furioso, e sacrificar sua situação. Perderia todo o dinheiro que lhe dava o Sr. de Charlus. A ideia de que isso era inevitável causava-lhe crises de nervos. Ficava chorando horas a fio, e, para não pensar naquilo, tomava morfina com prudência.
     Depois, de súbito, vinha-lhe ao espírito uma ideia que sem dúvida estava tomando vida e forma fazia algum tempo; tal ideia era que a alternativa, a escolha entre o rompimento com a moça e a briga total com o Sr. de Charlus talvez não fosse forçosa. Perder todo o dinheiro do barão era muito. Morel, indeciso, mergulhou durante alguns dias em ideias negras, como as que lhe causavam a vista de Bloch. Depois decidiu que Jupien e a sobrinha haviam tentado fazê-lo cair numa armadilha e deviam considerar se muito felizes por ter a coisa acabado assim. Em suma, achava que a moça era culpada por ter sido tão desajeitada, por não ter sabido prendê-lo pelos sentidos. Não só lhe parecia absurdo o sacrifício de sua situação junto ao Sr. de Charlus, como lamentava até os jantares dispendiosos que oferecera à moça desde que estavam noivos, e cujo custo poderia saber, como filho que era de um criado de quarto que ia todos os meses levar o seu "livro" a meu tio. Pois livro, no singular, que significa obra impressa para o comum dos mortais, perde esse sentido para as Altezas e os criados de quarto. Para estes, significa o livro de contas; para os primeiros, o registro em que as visitas inscrevem seu nome. (Em Balbec, num dia em que a princesa de Luxemburgo me dissera estar sem livro, eu ia lhe emprestar o Pescador da Islândia e Tartarin de Tarascon, quando compreendi o que ela queria dizer: não que passaria menos agradavelmente o tempo, mas que eu teria mais dificuldade em deixar o meu nome ao visitá-la).
     Apesar da mudança do ponto de vista de Morel quanto às conseqüências de sua conduta, embora esta lhe tenha parecido abominável dois meses antes, quando amava apaixonadamente a sobrinha de Jupien, enquanto que de uns quinze dias para cá não cessava de repetir a si mesmo que essa conduta era natural e louvável, cada vez mais se lhe agravava o estado de nervosismo em que há pouco anunciara o rompimento. E estava pronto a "descarregar a cólera", senão (a não ser num acesso momentâneo) na moça para com quem conservava aquele resto de receio, derradeiro vestígio do amor, pelo menos no barão. Contudo, evitou falar-lhe sobre isso antes do jantar. Pois, colocando acima de mais nada o seu próprio virtuosismo profissional, quando tinha que tocar peças difíceis como naquela noite em casa dos Verdurin; evitava (tanto quanto possível, e já era demasiada a cena da tarde), tudo o que podia alterar sua execução. Assim como um cirurgião apaixonado por automobilismo, deixa de dirigir quando tem que operar. Assim, Morel, em quanto falava comigo, movia os dedos um após o outro para ver se haviam readquirido sua flexibilidade. Se sentia uma certa dureza explicava que ainda permanecia um pouco de nervosismo. Porém, Morel, distendia o rosto; sua fisionomia, o franzir de sobrancelhas que parecia significar não aumentar, o rosto como alguém que procurasse não enervar-se com a insônia, ou facilmente por uma mulher, com receio de que ainda retardasse o instante do sono ou do prazer. Assim, desejando recuperar a serenidade como de costume. Gostaria de ter ido embora, entretanto era inútil a partida pois, indo na direção quase da mesma casa, que a poucos minutos tendo ainda viva na lembrança não podia deixar de sentir certo nojo em ter Morel por companhia. É bem possível que depois do amor, a indiferença ou o ódio pela sobrinha de Jupien foram sinceros. Infelizmente não era a primeira vez que procedia assim, e não seria a última; que ele "dava o fora" na moça a que tinha jurado amor eterno chegando até lhe mostrar um revólver carregado e lhe dizer que daria um tiro se era o bastante covarde para abandoná-la. Nem por isso deixava de abandoná-la em seguida e de sentir, em vez de remorso, uma espécie de rancor. Não era a primeira vez que obrava assim nem ia ser a última, de sorte que muitas cabeças de moças - menos esquecidas dele que delas mesmas sofreram -como sofreu muito tempo ainda a sobrinha do Jupien, que continuou amando Morel sem deixar de lhe desprezar-,dispostas a estalar sob o arrebatamento de uma dor interna, porque cada uma delas parecia no cérebro, como um fragmento de uma escultura grega, um aspecto do rosto do Morel, duro como o mármore e belo como a antiguidade, com seus cabelos em flor, seus olhos penetrantes, seu nariz reto -formando protuberância em um crânio não destinado a recebê-la, e que não se podia operar-. Mas, à larga, estes fragmentos tão duros acabam por cair num lugar onde não causam muitos estragos, de onde já não se movem; já não se nota sua presença: é o esquecimento, ou o futuro indiferente.
     Eu levava em mim dois produtos de minha jornada. Por uma parte, graças à calma produzida pela docilidade de Albertina, a possibilidade e, em consequência, a resolução de romper com ela. Por outra parte, resultado de minhas reflexões durante o tempo que passei esperando-a sentado ante o piano, a ideia de que a arte, ao que procuraria dedicar; me esforçaria por consagrar a liberdade reconquistada, não era algo que valesse a pena um sacrifício, algo exterior à vida, não participando de sua vaidade e de seu vazio, pois a aparência de individualidade real obtida nas obras era devida apenas a uma ilusão produzida pela habilidade técnica. Se a minha tarde deixara em mim outros resíduos, talvez mais profundos, só deveriam subir bem depois à minha consciência. Quanto aos dois que eu nitidamente sopesava, não iriam ser duradouros; pois, desde aquela mesma noite, minhas ideias sobre arte iam se recompor da diminuição que tinham experimentado à tarde, mas em compensação, o sossego, e por conseguinte, a liberdade que me permitiria dedicar-me a ela, ser-me-ia novamente retirado.
     Como o meu carro, rodando ao longo do cais, se aproximasse da casa dos Verdurin, fi-lo parar. Com efeito, acabava de ver Brichot descer do bonde na esquina da rua Bonaparte, limpar os sapatos com um jornal velho e calçar luvas cor de pérola. Caminhei até ele. Fazia algum tempo que, tendo piorado sua doença de olhos, fora dotado-tão suntuosamente como um laboratório-de novas lentes, as quais, potentes e complicadas como instrumentos astronômicos, pareciam aparafusadas a seus olhos. Assestou em mim aquelas luzes excessivas e me reconheceu. As lentes estavam em situação primorosa. Mas, por detrás delas, percebi, minúsculo, pálido, convulsivo, expirante, um olhar longínquo colocado sob aquele potente aparelho, como, nos laboratórios por demais subvencionados para os trabalhos que neles se executam, se põe um mísero bichinho agonizante sob os aparelhos mais aperfeiçoados. Ofereci o braço ao semicego para lhe amparar os passos. 

- Desta vez não é perto da grande Cherburgo que nós nos encontramos disse ele-, mas ao lado do Petit Dunkerque. [Dunkerque pequena loja de novidades em Paris, no começo do século (N .do T)]- frase que me pareceu muito aborrecida, pois não entendi o que queria dizer; todavia não ousei fazer perguntas a Brichot, por temer ainda mais o seu desprezo do que suas explicações. Respondi que estava bastante curioso por ver o salão em que Swann outrora se encontrava todas as noites com Odette.

- Como, o senhor conhece estas velhas histórias? - exclamou ele. - 

     A morte de Swann me deixara transtornado na ocasião. A morte de Swann! Swann não desempenha nesta frase o papel de um simples genitivo. Entendo por isso a morte particular, a morte enviada pelo destino ao serviço de Swann. Pois dizemos a morte, para simplificar, mas são tantas as mortes quantas as pessoas. Não possuímos sentidos que nos permitam ver, correndo a toda velocidade e em todas as direções, as mortes, as mortes ativas dirigidas pelo destino para este ou aquele. Muitas vezes são mortes que só serão liberadas inteiramente de sua tarefa dois ou três anos após. Correm depressa para pôr um câncer nos flancos de um Swann, e depois saem para outras tarefas, só regressando no momento em que; tendo sido a operação dos cirurgiões, é preciso recolocar o câncer. Depois tendo o momento em que se lê no Le Gaulois que a saúde de Swann inspirou chega o ponto em que sua indisposição está em franco processo de cura. Então, minutos antes do último suspiro, a morte, como uma religiosa que nos tivesse assistido momentos antes; o destruir, chega para acompanhar nossos últimos instantes, e coroa com uma auréola suprema a criatura para sempre enregelada cujo coração cessou um dia de bater. Como uma dessas multiplicidade de mortes, o mistério de seus circuitos, a cor de sua écharpe; e que conferem algo de tão impressionante às linhas dos jornais: "Acabamos de saber com vivo pesar que o Sr. Charles Swann sucumbiu ontem em seu palacete, vítima de pertinaz moléstia. Parisiense, cujo espírito era apreciado por todos, bem como a firmeza de suas relações escolhidas, porém fiéis. Paris, em fremente lamenta a sua falta, tanto nos meios artísticos e literários, pela esclarecida do seu bom gosto fazia com que se sentisse bem e fosse onde fosse, afinal por todos era admirado, como no Jockey-Club, do qual era um dos membros mais influentes. Pertencia também ao Círculo da União e ao Clube Agrícola onde era um dos mais antigos e apresentara a sua demissão ao círculo da rua Royale. Sua fisionomia especial como sua notável notoriedade não deixavam de excitar a curiosidade do público em todo great event da música e da pintura, notadamente nas vernissages era habitué fiel até seus últimos anos, quando só raramente saía de casa. Terão lugar os funerais, etc.''
     Neste ponto de vista, se não somos "alguém", a ausência de título é mais rápida ainda a decomposição da morte. Sem dúvida é de tal modo conhecido a distinção de individualidade, que se é anônimo o duque de Uzes . Mas a coroa ducal por algum tempo os elementos como os daqueles espelho mantêm unidos e mal desenhadas, apreciados por Albertine. Ao passo que os nomes de forma ultramundanos, logo que eles morrem, desagregam-se, os moldes derretem-se. Vimos a Sra. de Guermantes falar de Cartier como sendo burguês, sendo o melhor amigo do duque de La Trémoïlle, um homem bastante solicitado nos meios aristocráticos. Na geração seguinte, Cartier se tornou algo tão infortunado; ou melhor engrandecessem aparentando-o com o joalheiro Cartier, e no entanto nos meios o pudessem ter confundido com o outro. Swann que talvez, ao contrário, era uma notável personalidade intelectual e artística; não teria "produzido" nada, teve a oportunidade de durar um pouco mais Swann, não Charles Swann, que conheci tão pouco quando ainda era tão jovem, embora perto do túmulo, é justamente porque este, a quem você devia considerar todavia, um imbecil, fez de você o herói de um de seus romances; e que por isso talvez você continue vivendo. Se a respeito do quadro um Tissot representa a sacada do círculo da rua Royale, onde você está entre Gallifet, Edmond de Polignac e Saint Maurice, fala-se tanto de você, é porque veem que existem alguns traços seus na personagem de Swann. [O quadro em questão representa, entre as pessoas mencionadas, a figura de Charles Haas (1832-1902), O principal modelo de Charles Swann. (N. do T)]

continua na página 79...
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Leia também:

Volume 1
Volume 2
Volume 3
Volume 4
Volume 5
A Prisioneira (Prefácio)
A Prisioneira (Para voltar a Albertine)
Volume 6


Em busca do tempo perdido - Philippe Willemart
- Literatura Fundamental 15 




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