sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Thomas Mann - A Montanha Mágica: Como um soldado, como um valente (b)

Thomas Mann

A Montanha Mágica
 
Capítulo VI
Como um soldado, como um valente

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     Não, Hans Castorp nem empalidecera nem se ruborizara, mas a impressão que lhe haviam causado as inopinadas notícias de Mme. Chauchat traduzia-se em palavras que não podiam esperar outra resposta a não ser um silêncio penoso. Joachim mostrou-se pouco espantado, por conhecer de outras ocasiões aquela argúcia que o primo exibia ali em cima. Nos olhos da Srª. Ziemssen, porém, refletia-se a mais vasta estupefação. Comportou-se ela exatamente como se Hans Castorp acabasse de pronunciar palavrões indecentes. Depois de uma pausa cheia de embaraço, levantou-se com algumas palavras discretas, destinadas a disfarçar o incidente. Antes de se separarem, Hans Castorp comunicou a ordem do conselheiro, segundo a qual Joachim deveria passar ao menos o dia seguinte na cama, até que o médico o tivesse examinado. O mais se veria. Depois, os três parentes dirigiram-se aos seus quartos, e dentro em breve estavam estendidos, gozando o frescor da noite de verão alpino, que entrava pelas portas abertas. Cada um se entregava aos seus pensamentos. Os de Hans Castorp giravam principalmente em torno da perspectiva de rever Mme. Chauchat daí a seis meses. 
     E assim o pobre Joachim regressara à “pátria” para um pequeno tratamento suplementar, que julgavam oportuno. Evidentemente a expressão “pequeno tratamento suplementar” era a senha emitida na planície, e que servia também ali em cima. O próprio Dr. Behrens adotou-a, ainda que fossem logo quatro semanas de repouso na cama que pespegou a Joachim como início da cura. Estas seriam necessárias, segundo a sua opinião, para consertar os estragos mais graves, para ajudar o paciente a reaclimatar-se e para lhe regular a combustão interior. Quanto à duração do tratamento, o conselheiro soube esquivar-se a todas as tentativas de lhe marcar um prazo fixo. A Srª. Ziemssen, sisuda, compreensiva, de um temperamento nada sanguíneo, sugeriu, longe do leito de Joachim, o outono, o mês de outubro, por exemplo, como termo final. Behrens concordou com ela, pelo menos no sentido de declarar que então já se poderia ver mais claro do que agora. Causou, aliás, uma impressão excelente à mãe de Joachim. Mostrava-se muito galante; dizia “Minha prezada senhora”, fitando-a com os olhos túrgidos e estriados de sangue à maneira de vassalo leal, e usava com tanta perfeição o linguajar excêntrico dos estudantes alemães, que a Srª. Ziemssen, apesar da sua mágoa, não podia deixar de rir. – Sei que meu filho se acha em boas mãos – disse ela. Oito dias após a chegada, partiu para Hamburgo, visto não haver nenhuma necessidade séria da sua presença e o filho dispor de um parente para fazer-lhe companhia. 

– Pois então! Fique contente. Você sairá no outono – dizia Hans Castorp, sentado ao pé da cama do primo, no número 28. – O Velho comprometeu-se até certo ponto. Você sabe a quantas anda e tem uma data com que pode contar. Outubro – com isso temos um termo. É a época em que certa gente vai à Espanha, e você também poderá voltar para a sua bandera, a fim de se distinguir enormemente...  

     Sua incumbência diária era consolar Joachim, principalmente por ter este de faltar, devido ao tratamento, às grandes manobras que começavam nesses dias de agosto. Era coisa com que o primo não se conformava. Joachim chegava ao ponto de desprezar-se a si próprio, por causa da maldita fraqueza que o fizera sucumbir no último instante. 

Rebellio carnis – explicava Hans Castorp. – Que é que se vai fazer? O mais valente oficial nada pode contra ela, e o próprio Santo Antão tinha experiência de sobra a seu respeito. Meu Deus, há manobras todos os anos, e você já sabe como corre o tempo aqui. Ele realmente não existe. Você nem sequer se ausentou o bastante para que lhe fosse difícil pegar novamente o ritmo, e num abrir e fechar de olhos o seu pequeno tratamento suplementar estará terminado.

     Não obstante, o senso de tempo de Joachim havia sido reavivado pela vida na planície, e isso num grau demasiado forte para que as quatro semanas que ele tinha à sua frente não lhe inspirassem medo. Mas muita gente o ajudava a percorrê-las. A simpatia que todos sentiam por esse homem de caráter limpo manifestava-se em vista de pessoas familiares ou distantes. Veio Settembrini; mostrou-se compadecido e encantador; e como sempre houvesse tratado Joachim de tenente, passou agora a chamá-lo de capitão. Também Naphta apresentou-se, e aos poucos foram comparecendo todos os velhos conhecidos dentre os próprios pensionistas da casa, aproveitando um quarto de hora da liberdade concedida pelo regulamento, para sentar-se na beira da sua cama. Repetiam então a expressão “pequeno tratamento suplementar” e faziam-no contar o que lhe acontecera: as Sras. Stöhr, Levi, Iltis e Kleefeld, os Srs. Ferge, Wehsal e outros. Alguns até lhe levavam flores. Decorridas as quatro semanas, Joachim levantou-se, já que a febre baixara o suficiente para que pudesse caminhar. Deram-lhe o seu lugar na sala de refeições entre o primo e a Srª. Magnus, esposa do cervejeiro, o qual ficava à sua frente. Era o mesmo lugar na extremidade lateral que durante certo tempo haviam ocupado o tio James e, mais tarde, a Srª. Ziemssen.
     Dessa forma, os jovens viviam de novo lado a lado, como outrora. Para que a situação anterior ressuscitasse de modo mais completo ainda, Joachim voltou a receber o seu quarto antigo, o quarto pegado ao de Hans Castorp, logo depois de Mrs. Macdonald, com o retrato do filhinho na mão, ter exalado o último suspiro, e naturalmente após uma cuidadosa desinfecção com H2CO. No fundo, e do ponto de vista sentimental, as coisas haviam mudado no sentido de que desta vez era Joachim quem vivia ao lado de Hans Castorp, e não vice-versa. Hans Castorp era agora o veterano, de cujo estilo de vida o outro participava passageiramente, como visitante. Pois Joachim aferrava-se com toda a sua energia ao termo final em outubro, ainda que no seu sistema nervoso central existissem certos pontos que se recusavam a conduzir-se em conformidade com as normas humanísticas e estorvavam a radiação compensatória da sua pele.
     Os dois recomeçaram também as suas visitas a Settembrini e Naphta, bem como os passeios em companhia desses homens unidos pelo seu antagonismo. Quando A. K. Ferge e Wehsal igualmente tomavam parte, o que não raro acontecia, eram seis, e aqueles adversários no espírito tinham então um público numeroso, perante o qual travavam os seus intermináveis duelos, que não poderíamos descrever de uma forma completa sem nos perdermos num labirinto desolador, como todos os dias acontecia a eles próprios. Apesar do número crescente de ouvintes, Hans Castorp tendia a considerar a sua pobre alma o objetivo principal daquela contenda dialética. Soube por Naphta que Settembrini era maçom, o que lhe causou impressão não menos viva do que as revelações do italiano relativas ao fato de pertencer Naphta à ordem dos jesuítas e ser mantido por ela. De novo experimentou surpresa ao inteirar-se de que coisas tão fantásticas ainda existiam na realidade, e com insistência interrogava o terrorista quanto à origem e à natureza dessa curiosa instituição, que em breve celebraria o seu bicentenário. Ao passo que Settembrini, à revelia de Naphta, costumava falar da natureza intelectual do seu vizinho num tom de enfática advertência contra uma coisa diabólica, Naphta zombava francamente, na ausência do outro, da esfera que o humanista representava; dava a entender que aí predominava um espírito muito estreito e atrasado, o esclarecimento burguês e o liberalismo de antanho, que nada mais eram senão uma mísera fantasmagoria, se bem que fomentassem a ridícula ilusão de estar ainda animados de vida revolucionária. – Que quer o senhor? Seu avô já era carbonaro, quer dizer, carvoeiro – expunha Naphta. – É dele que herdou essa fé dos carvoeiros na razão, na liberdade, no progresso da humanidade e em todo esse baú cheio das virtuosas velharias da ideologia classista-burguesa... Veja, o que perturba o mundo é a desproporção entre a rapidez do espírito e a imensa lerdice, morosidade e inércia da matéria. É preciso admitir que essa desproporção basta para desculpar qualquer espírito que se desinteresse da realidade. Pois, via de regra, os fermentos que produzem as revoluções reais de há muito lhe repugnam. Com efeito, o espírito morto causa maior repulsa ao espírito vivo do que quaisquer basaltos, que, pelo menos, não pretendem ser espírito e vida. Tais basaltos, restos de realidades antigas, que o espírito deixou atrás de si tão longe que se recusa ligar a elas o conceito do real, conservam-se pela inércia, e devido a sua persistência bruta, inanimada, impedem infelizmente o insípido de se dar conta da sua insipidez. Expresso-me de um modo geral, mas o senhor pode tirar dessas generalidades conclusões a respeito daquele liberalismo humanitário que ainda crê encontrar-se numa posição heroica em face do mando e da autoridade. Ah, sim! E ainda aquelas catástrofes por meio das quais ele quer comprovar que ainda está vivo, e aqueles triunfos atrasados e espetaculares que prepara e espera realizar um dia! Só de pensar nisso, o espírito vivo seria capaz de morrer de tédio, se não soubesse que em realidade quem surgirá dessas catástrofes como vencedor e quem as aproveitará será ele mesmo, que funde no seu seio os elementos do vetusto com os do mais longínquo porvir, para fazer uma revolução de verdade... Como vai seu primo, Hans Castorp? O senhor sabe que sinto grande simpatia por ele. 

– Obrigado, Sr. Naphta. Acho que todo mundo tem por Joachim uma simpatia sincera, porque é de fato excelente rapaz. Também o Sr. Settembrini gosta dele especialmente, embora desaprove certo terrorismo fanático que é peculiar ao ofício de Joachim. E agora o senhor me diz que ele é maçom. Imaginem! Não nego que isso me dê que pensar. Sua pessoa me aparece sob uma luz diferente, e muitas coisas tornam-se mais claras para mim. Será que ele coloca às vezes os pés em ângulo reto e aperta a mão da gente de um modo especial? Nunca notei nada de tudo isso... 
– Creio – opinou Naphta – que o nosso simpático Irmão Tripingado já passou da idade de tais criancices. Suponho que o cerimonial das lojas tenha sido adaptado, embora de um modo bastante incompleto, ao prosaico espírito cívico dos nossos tempos. Provavelmente sentiriam vergonha do ritual de outrora como de charlatanices indignas de gente civilizada e com razão, pois seria deveras absurdo disfarçar de mistério o republicanismo ateu. Não sei por que série de atrocidades foi posta à prova a constância do Sr. Settembrini; pode ser que o hajam levado com os olhos vendados através de uma porção de galerias ou feito esperar em calabouços escuros, antes de lhe abrirem a sala do conclave, deslumbrante de luzes refletidas por espelhos. Talvez o tenham catequizado solenemente. Quem sabe se não lhe ameaçaram com espadas o peito desnudo, em frente de uma caveira e de três velas acesas! Isso o senhor deve perguntar a ele mesmo, mas receio que o encontre pouco loquaz; pois ainda que tudo tenha decorrido de modo muito mais civil, em todo caso o mandaram fazer juramento de silêncio. 
– Juramento de silêncio? Então é verdade?... 
– Claro. Silêncio e obediência. 
– Obediência também? Escute, professor, nesse caso me parece que ele absolutamente não tem motivos de se escandalizar da exaltação e do terrorismo inerentes à profissão do meu primo. Silêncio e obediência! Eu nunca teria imaginado que um homem tão liberal como Settembrini pudesse sujeitar-se a condições e votos tão tipicamente espanhóis. Realmente, farejo na maçonaria um elemento militar ou jesuítico... 
– E seu faro não engana – respondeu Naphta. – Sua varinha mágica estremece e inclina se. A ideia da associação é inseparável e tem raiz comum com a do incondicional. Por conseguinte é terroristica, isto é, antiliberal. Exonera a consciência individual e santifica, em nome da finalidade absoluta, todos os meios, também os sangrentos, inclusive o crime. Existem indícios de que antigamente a união dos irmãos costumava ser selada com sangue também nas lojas maçônicas. Uma união nunca é contemplativa, mas sempre é essencialmente organizadora, sob a direção de um espírito absoluto. Ignora o senhor que o fundador da Sociedade dos Iluminados, que durante algum tempo esteve a ponto de fundir-se com a maçonaria, era antigo membro da Companhia de Jesus? 
– De fato, eu não sabia nada disso. 
– Adão Weishaupt organizou a sua ordem secreta e humanitária na mais completa conformidade com o sistema dos jesuítas. Ele mesmo era maçom, e os mais conceituados membros das lojas daquela época faziam parte dos iluminados. Refiro-me à segunda metade do século XVIII, que Settembrini não hesitaria em qualificar de fase de decadência da sua irmandade. Na realidade, porém, foi o período de maior florescimento, como foi para todas as sociedades secretas, o tempo em que a maçonaria de fato se alçava a uma vida superior, vida que foi extinta mais tarde por homens da laia do nosso filantropo, que, se tivesse vivido naquela época, indubitavelmente teria pertencido aos que a tachavam de jesuítica e obscurantista. 
– E havia motivos para isso? 
– Sim, se assim quiser. O liberalismo trivial tinha suas razões para pensar dessa forma. Era o tempo em que os nossos padres procuravam encher a associação de vida hierárquico católica; então florescia em Clermont, na França, uma loja de jesuítas maçons. Era, além disso, a época em que as lojas foram penetradas pelo espírito da Rosacruz, essa confraria bem singular, a cujo respeito o senhor pode gravar na memória que ela aliava objetivos de aperfeiçoar e afortunar o mundo, objetivos puramente racionalistas e político-sociais, a estranhas relações com as ciências secretas do Oriente, com a sabedoria índica e árabe, e com o conhecimento mágico da natureza. Foi naquele período que se realizaram a reforma e a emenda do sistema de muitas lojas maçônicas, no sentido da estrita observância, sentido expressamente irracional e misterioso, mágico e alquimista, ao qual os graus elevados do rito escocês da maçonaria devem a sua origem. Aí se trata de graus de ordens de cavaleiros, que foram acrescentados à velha hierarquia militar de aprendiz, oficial e mestre, graus de grão-mestres, que embocavam na esfera hierática e estavam compenetrados da sabedoria secreta da Rosacruz. Deparamos nesse ponto com uma volta para certas ordens de cavaleiros a serviço da religião, principalmente os templários, que, como o senhor sabe, prestavam diante do patriarca de Jerusalém o juramento de pobreza, de castidade e de obediência. Ainda hoje existe um grau elevado da maçonaria que se intitula “Príncipe de Jerusalém”. 
– Tudo isso é novo para mim, Sr. Naphta, totalmente novo. Mas assim consigo entender os truques do nosso amigo Settembrini... “Príncipe de Jerusalém!” Nada mau. O senhor deveria chamá-lo assim, numa boa ocasião, por brincadeira. Ele o tratou, outro dia, de “Doctor Angelicus”, e isto exige vingança. 
– Ora, há ainda uma porção de títulos igualmente altissonantes para os graus elevados, de origem templária, que a maçonaria criou. Encontramos um Mestre Perfeito, um Cavaleiro do Oriente, um Grão-Sacerdote, e o grau 31 até se intitula “Augusto Príncipe do Mistério Real”. O senhor pode notar que todas essas denominações’ revelam relações com a mística oriental. A própria ressurreição dos templários significa nada mais nada menos que o reatamento de tais relações, e representa a irrupção de fermentos irracionais num mundo de ideias empenhado em melhorar a sociedade por meios razoáveis e utilitaristas. Desse modo, a maçonaria ganhou novos atrativos e um brilho inédito, que explicam o sucesso que teve naquela época. Aliciava todos os elementos que estavam fartos do racionalismo do século, com seu esclarecimento e comedimento humano, e sentiam sede de filtros mais potentes. O êxito da ordem foi tal que os filisteus se lamentavam de ela alhear os maridos da felicidade doméstica e da dignidade feminina. 
– Bem, professor, nesse caso é compreensível que o Sr. Settembrini não goste de se recordar dessa fase de florescimento da sua ordem. 
– Pois é. Não gosta mesmo de recordar-se de épocas em que a sua associação atraía sobre si todas aquelas antipatias que o liberalismo, o ateísmo e a razão enciclopédica devotam normalmente ao complexo Igreja, catolicismo, monge, Idade Média. Já lhe disse que os maçons foram censurados por seu obscurantismo... 
– Por quê? Eu desejaria que o senhor me explicasse isso. 
– Já lhe digo. A estrita observância equivalia a um aprofundamento e a uma ampliação das tradições da ordem. Fazia remontar as suas origens históricas ao mundo dos mistérios, às chamadas trevas da Idade Média. O grau de grão-mestre pertencia nas lojas a pessoas iniciadas na physica mystica, a portadores do conhecimento mágico da natureza, e na maior parte a grandes alquimistas... 
– Agora tenho que fazer um esforço brutal para lembrar-me mais ou menos bem das finalidades da alquimia. Acho que alquimia significa fazer ouro, a pedra filosofal, aurum potabile... 
– Sim, senhor, em termos populares. Numa linguagem mais erudita, porém, trata-se de purificação, transformação e refinamento da matéria, de transubstanciação, e isso para uma forma mais elevada, mais sublime. O lapis philosophorum, o produto hermafrodita de enxofre e mercúrio, a res bina, a prima materia bissexual, nada mais era senão o princípio da sublimação, do impulso para o alto, dado por meio de agentes exteriores. É pedagogia mágica, se assim quiser.

continua pág 333...
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Leia também:

Capítulo I
A Chegada
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Como um soldado, como um valente  (b)
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A Montanha Mágica (Der Zauberberg, no original alemão) é um romance de Thomas Mann que foi publicado em 1924. É considerado o romance mais importante de seu autor e um clássico da literatura de língua alemã do século XX que foi traduzido para inúmeros idiomas, sendo de domínio público em países como Estados Unidos, Espanha, Brasil, entre outros.
Thomas Mann começou a escrever o romance em 1912, após uma visita à sua esposa no Wald Sanatorium em Davos, onde ela foi hospitalizada. Ele inicialmente o concebeu como um romance curto, mas o projeto cresceu ao longo do tempo para se tornar um trabalho muito maior. A obra narra a permanência de seu personagem principal, o jovem Hans Castorp, em um sanatório nos Alpes suíços, onde inicialmente vinha apenas como visitante. A obra tem sido descrita como um romance filosófico, pois, embora se enquadre no molde genérico do Bildungsroman ou romance de aprendizagem, introduz reflexões sobre os mais variados temas, tanto pelo narrador quanto pelos personagens (especialmente Nafta e Settembrini, aqueles encarregados da educação do protagonista). Entre esses temas, o do "tempo" ocupa um lugar preponderante, a ponto de o próprio autor o descrever como um "romance do tempo" (Zeitroman), mas muitas páginas também são dedicadas a discutir a doença, a morte, a estética ou a política.
O romance tem sido visto como um vasto afresco do modo de vida decadente da burguesia europeia nos anos anteriores à Primeira Guerra Mundial.

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