sábado, 27 de junho de 2026

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Entre hoje e amanhã

fazer 70 anos muda tudo? não sei... e receber 2 milhões de visitas?

"serve uma história aí."

parece uma marca inexpressiva, neste tempo de likes e bets, mas para um buteku de contos e poesias - com ritmo próprio para ler e publicar, às vezes, acho que não foi feito muito, é a preguiça, um desconforto, a saúde fraquejando, mas aí vem o lampejo: a resistência, a teimosia, um lugar onde se pode voltar devagar, sem pressa, um lugar que serve palavras que não monetizam, o prazer de servir a leitura - é uma marca para se comemorar...

... e seguir em frente... por aqui, livros que li e amei, livros que fui publicando e lendo, livros que fui lendo e publicando, um segredo dos leitores e das leitoras para você: nada supera a cobiça de infiltrar-se numa livraria para descobrir o que ler... sinta-se tentado ou tentada na livraria, o cheiro da palavra fresca no balcão, reconheço sorrindo esse vício, abrir a porta e me deixar entrar, ficar ou apenas passar - faça isso antes que elas se mudem para algum desvio no shopping -, tocar a lombada, sentir a respiração do título, cada estante promete um segredo que pode ser desvendado, um ritual, uma tentação clandestina, é bom conversar com o livreiro, pedir sugestões para a livreira, faça  perceberem que alguém sentou, leu e ficou um pouco, e não voltou por acaso, mas para contar um caso, e, aos livreiros e livreiras: obrigado por não terem desistido desse balcão!



Como é trabalhar numa livraria?




escrever 

repetir 
pensar 
as mãos brincando no papel 
esvoaçando o colorido da doidice 
o lápis 
a borracha 
os caprichos 
os enredos 
o ritmo das palavras 
as emoções saltitando
e então, o silêncio  
observo o traço que hesita 
a ideia que se esconde atrás da vírgula
o papel respira 
a mão insiste 
o verso nasce torto 
e no tropeço há música e borrão 
caminho e risco 
inventando o mundo mais uma vez
e o leitor?
é o cúmplice silencioso
o outro par de mãos que completa o gesto
aparece mesmo quando não é nomeado
e recolhe das migalhas 
o pensamento escapando entre as linhas
escuta o ritmo sugerido
preenche os espaços em branco com a própria memória
dança junto com as palavras soltas no ar
é o lugar onde o poema termina 
onde o texto respira
onde o texto vive.


explicando melhor...


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