terça-feira, 16 de junho de 2026

Massa e Poder - Elementos do Poder: O Segredo

Elias Canetti

ELEMENTOS DO PODER

     O Segredo

          O segredo encontra-se no mais recôndito cerne do poder. O ato de espreitar é, por sua própria natureza, secreto. O observador se esconde ou se amolda a seu entorno e não se deixa reconhecer por um único movimento sequer. À espreita, ele desaparece por completo; reveste-se do segredo como que de uma nova pele, e persiste por um longo tempo em seu refúgio. Nesse seu estado, caracteriza-o uma peculiar mistura de paciência e impaciência. Quanto mais tempo ele permanecer assim, tão mais intensa será sua esperança de conseguir um sucesso repentino. Contudo, para que ele enfim obtenha êxito, sua paciência deve crescer até o infinito. Esgotando-se ela um só minuto mais cedo, tudo terá sido em vão, e ele, carregado de decepção, precisará começar tudo de novo. 
     Se a captura em si dá-se abertamente, pois deseja intensificar seu efeito com o auxílio do terror, a partir do início da incorporação tudo volta a desenrolar-se na escuridão. A boca é escura, e escuros são também o estômago e o intestino. Ninguém fica sabendo ou reflete sobre a atividade incessante em seu interior. Em grande parte, esse primitivíssimo processo da incorporação permanece um segredo. Ele principia ativamente com o segredo que o próprio observador, à espreita, cria; e termina, desconhecido e passivo, na escuridão secreta do corpo. Entre uma coisa e outra, somente o momento da captura rebrilha com fulgor, semelhante a um raio iluminando seu próprio e fugaz instante.
     O segredo mais verdadeiro é o que se passa no interior do corpo. Um curandeiro, atuando a partir de seu conhecimento dos processos corporais, tem de, antes de exercer seu ofício, submeter-se a operações bastante singulares em seu próprio corpo.
     Entre os arandas da Austrália, o homem que deseja iniciar-se como curandeiro caminha até a entrada da caverna onde moram os espíritos. Ali, antes de mais nada, sua língua é perfurada. Ele está completamente sozinho, e de sua iniciação faz parte que ele tenha muito medo dos espíritos. A coragem da solidão, e justamente num lugar especialmente perigoso, parece constituir pré-requisito para esse ofício. Mais tarde — conforme acredita —, ele é morto por uma lança que lhe atravessa a cabeça de orelha a orelha, e deitado pelos espíritos em sua caverna, onde estes vivem juntos numa espécie de além. Do nosso mundo, ele perdeu a consciência; no outro, todos os seus órgãos interiores são-lhe extraídos, e órgãos novos ocupam o lugar dos antigos. É de se supor que tais órgãos sejam melhores do que os habituais; invulneráveis, talvez, ou menos expostos às interferências da magia. O iniciante é, pois, fortalecido para seu ofício, mas o é de dentro para fora: seu novo poder começa em suas entranhas. Esteve morto antes de lhe ser permitido começar, mas sua morte serve apenas à penetração total de seu corpo. Seu segredo, somente ele e os espíritos conhecem; ele jaz no interior de seu corpo. 
     Uma característica notável é a ornamentação do feiticeiro com uma grande quantidade de pequenos cristais. Ele os carrega em seu corpo, e eles são imprescindíveis para seu ofício: no tratamento dos doentes, tem sempre lugar uma intensa atividade com essas pedrinhas. Algumas vezes, o próprio feiticeiro as distribui; outras, ele recolhe algumas delas dos pontos afetados do corpo do doente. Sólidas e estranhas partículas no corpo deste último causaram-lhe o sofrimento. É como uma estranha unidade monetária da doença, cuja taxa de câmbio só é conhecida dos feiticeiros. 
     À exceção desse tratamento absolutamente íntimo dos doentes, a feitiçaria ocorre sempre à distância. O feiticeiro prepara em segredo toda sorte de a ados pauzinhos mágicos e, a grande distância, os dirige contra a vítima, que, sem ter ideia do que está ocorrendo, é acometida do efeito terrível da magia. É do segredo da espreita que o feiticeiro se beneficia aqui. Com más intenções, pequenas lanças são atiradas; às vezes, sob a forma de cometas, elas se fazem visíveis no céu. O ato propriamente dito é rápido, mas pode levar algum tempo até que ele surta efeito.
     A prática do mal em atos individuais de feitiçaria é possível a todo aranda. A defesa contra esse mal está nas mãos apenas dos curandeiros. Pela iniciação e pela prática, eles possuem outras defesas. Alguns curandeiros bastante idosos podem causar o mal a grupos inteiros de homens. Tem-se, portanto, algo como três graus de intensidade do poder. O mais poderoso é aquele que é capaz de levar a doença a muitos, simultaneamente.
     Bastante temido é o poder mágico de estranhos que moram em lugares distantes. É provável que estes sejam os mais temidos porque os antídotos contra sua magia não são tão desconhecidos quanto os próprios feitiços. Além disso, inexiste aí a responsabilidade pelas maldades que sempre existe no interior de um mesmo grupo.
     Na defesa contra o mal e no tratamento de doenças, o poder do curandeiro é visto como bom. De mãos dadas com este caminha, porém, a prática do mal em grandes proporções. Nada de ruim acontece por si só; tudo é provocado por um homem ou espírito malévolo. O que quer que chamemos causa é para eles culpa. Toda morte é um assassinato, e, enquanto tal, tem de ser vingada.
     Espantosa é aí a proximidade absoluta com o mundo do paranoico. Nos dois capítulos sobre o caso Schreber, ao final deste livro, ficar-se-á sabendo mais a esse respeito. Até mesmo o ataque a órgãos internos é descrito ali com detalhes: após a sua completa destruição e um longo sofrimento, os órgãos se restabelecem, invulneráveis.
     O duplo caráter do segredo segue apegado a ele também em todas as formas superiores de poder. Um único passo separa o curandeiro primitivo do paranoico. E não é maior a distância que separa ambos do detentor de poder, conforme este se desenvolveu ao longo da história, em muitos e bem conhecidos exemplos.
     Neste último, o segredo tem sua esfera ativa. O detentor de poder que se vale do segredo o conhece com precisão e sabe muito bem avaliá-lo de acordo com seu significado. Ele sabe o que espreitar, quando quer conseguir alguma coisa, e sabe quem de seus auxiliares empregar na espreita. Sendo muitos os seus desejos, ele possui muitos segredos, e os reúne num sistema no qual eles se guardam uns aos outros. Confidencia uma coisa a um, outra coisa a outro, e cuida para que seus confidentes jamais possam unir-se.
     Todo aquele que sabe alguma coisa é vigiado por um outro, o qual jamais descobre o que realmente está vigiando no primeiro. O vigilante tem de registrar cada palavra e cada movimento daquele que lhe coube vigiar, e, relatando com frequência o que registrou, transmite a seu senhor uma imagem do pensamento do vigiado. Contudo, também o vigilante é, por sua vez, vigiado, e o relato daquele que o vigia corrige o seu. Assim, o detentor de poder está sempre a par da confiabilidade e da segurança dos recipientes nos quais deposita seus segredos, e é capaz de avaliar quais desses recipientes estão tão repletos que podem transbordar. Somente ele tem a chave do sistema completo de caixas que abriga seus segredos. Se a confia inteiramente a alguém, ele se sente em perigo.
      Uma distribuição desigual da capacidade de percepção faz parte do poder. O poderoso percebe o que abrigam os outros, mas não permite que percebam o que ele próprio abriga. Ele tem de ser o que mais cala. A ninguém é permitido conhecer-lhe o pensamento e a intenção.
     Um caso clássico dessa impenetrabilidade foi o de Filippo Maria, o último dos Visconti. Seu ducado, Milão, era uma grande potência na Itália do século XV. Ninguém igualava o duque em sua capacidade de ocultar o que abrigava em seu íntimo. Ele jamais dizia abertamente o que queria, mas encobria tudo com uma maneira peculiar de se expressar. Se não gostava mais de alguém, seguia louvando-o; se distinguira alguém com honrarias e presentes, inculpava-o de impetuosidade ou burrice, fazendo-o sentir que não era digno de sua sorte. Se desejava ter alguém à sua volta, atraía-o longamente, incutindo-lhe esperanças e, depois, abandonando-o. Quando, então, o envolvido acreditava-se já esquecido, o duque o chamava de volta. Se concedia uma graça a pessoas que lhe haviam prestado bons serviços, com notável astúcia perguntava a outras a respeito, como se nada soubesse do benefício concedido. De um modo geral, dava às pessoas algo diferente do que lhe fora pedido, e sempre de um modo diferente do desejado. Quando queria oferecer um presente ou uma honraria a alguém, costumava, dias antes, inquiri-lo sobre os assuntos mais irrelevantes, de modo que o bene ciado não lograva adivinhar-lhe a intenção. A m de não revelar a pessoa alguma seu mais recôndito propósito, chegava mesmo a queixar-se com frequência da concessão de favores que ele próprio concedera, ou ainda da execução de penas de morte que ele próprio decretara.
     Neste último caso, a impressão que se tem é que ele busca guardar seus segredos até mesmo de si próprio. O caráter consciente e ativo destes se perde para ele, que anseia por aquela forma passiva do segredo que carregamos na escuridão das cavidades de nosso corpo, que guardamos num lugar onde jamais o descobriremos novamente e que nós mesmos esquecemos.
     “Constitui um direito dos reis preservar seus segredos de seu pai, mãe, de seus irmãos, mulheres e amigos.” Assim afirma o Livro da coroa dos árabes, que contém muitas e antigas tradições datando da corte dos sassânidas.
     O rei persa Cósroes II, o Vitorioso, inventou métodos bastante particulares para testar a discrição daqueles que pretendia empregar. Se sabia que uma íntima amizade unia duas pessoas de seu círculo, uma união em tudo e por tudo, trancava-se com uma delas e confiava-lhe um segredo acerca da outra: comunicava-lhe que decidira mandar executá-la, proibindo-a, sob ameaça de castigá-la, de revelar tal segredo ao amigo. A partir daí, observava as atitudes do amigo condenado em suas idas e vindas pelo palácio; observava-lhe a coloração do rosto e seu comportamento quando diante do rei. Se constatava que tal comportamento não se modificara, sabia então que o outro não lhe revelara o segredo. Incluía, então, este último entre os de sua maior confiança, tratava-o com particular distinção, elevava-lhe o posto e fazia-o sentir suas graças. Depois, a sós com ele, dizia-lhe: “Eu tinha a intenção de mandar executar aquele homem em razão de algumas informações que chegaram até mim, mas, investigando melhor, descobriu-se que era tudo mentira”.
     Se, pelo contrário, notava que o condenado mostrava medo, mantinha-se afastado e desviava o olhar, compreendia que o segredo fora revelado. Nesse caso, lançava-se impiedoso sobre o traidor, degradava-o e o tratava duramente. Ao outro, fazia saber que pretendera apenas testar-lhe o amigo, confiando-lhe um segredo.
     Assim, somente confiava no silêncio de um cortesão após havê-lo obrigado a uma traição mortal para com seu melhor amigo. Assegurava-se, pois, da mais elevada discrição. “Quem não se presta a servir ao rei”, dizia, “não possui valor algum para si próprio, e aquele que nada vale nem mesmo para si próprio, deste não se pode tirar proveito algum.”
     O poder do silêncio foi sempre muito estimado. Ele significa que uma pessoa é capaz de resistir a todas as inumeráveis oportunidades que se lhe oferecem para falar. Uma tal pessoa não dá resposta alguma, como se jamais lhe houvessem feito qualquer pergunta. Não dá a perceber se gosta disto ou daquilo. É muda sem se calar. Mas ouve. Em seu extremo, a virtude estoica da imperturbabilidade haveria de conduzir necessariamente ao silêncio.
     O silêncio pressupõe ainda um conhecimento preciso daquilo que se cala. Como, na prática, ninguém permanece calado para sempre, o que se faz é escolher entre o que pode ser dito e o que cumpre calar. O que se cala é o que melhor se conhece. É algo mais preciso e mais valioso; algo que o silêncio não apenas protege, mas concentra. Um homem que cala bastante dá sempre a impressão de uma concentração maior. Quando cala, supõe-se que ele saiba muito, e que pensa bastante em seu segredo. Encontra-se com ele a cada vez que tem de protegê-lo.
     Aquele que silencia não pode, pois, esquecer-se de seu segredo. É respeitado pelo fato de esse segredo arder-lhe mais e mais, crescer dentro dele, e de ele, ainda assim, não revelá-lo.
     O silêncio isola: quem silencia está mais só do que os que falam. Atribui-se-lhe, assim, o poder do isolamento. Ele é o guardião de um tesouro, e esse tesouro está dentro dele.
     E o silêncio atua contrariamente à metamorfose. Aquele que monta guarda em seu posto interior jamais é capaz de distanciar-se dele. O silente pode disfarçar-se, mas apenas de um modo rígido. Ele pode vestir uma determinada máscara, mas aferra-se a ela. A fluidez da metamorfose é-lhe vedada. O efeito que esta provoca é demasiado incerto; uma vez entregue a ela, não se pode prever onde é que se vai parar. Sempre que não deseja metamorfosear-se o homem silencia. No silêncio, rompem-se todos os ensejos para a metamorfose. É por meio da fala que se tecem as relações entre os homens; no silêncio, tudo se enrijece.
     Aquele que silencia tem a vantagem da expectativa maior por sua manifestação. Dá-se a esta maior valor. Sucinta e isolada, sua fala aproxima-se mais da transmissão de uma ordem.
     A distinção artificial entre aquele que ordena e aquele a quem cabe obedecer a ele significa que eles não falam a mesma língua. Não devem conversar um com o outro, como se não fossem capazes de fazê-lo. Sob quaisquer circunstâncias, a ficção segundo a qual inexiste entendimento entre eles exteriormente à esfera da ordem é mantida. Assim, na esfera de sua função, os que possuem voz de comando fazem-se silentes. Desse modo, as pessoas acostumam-se também a esperar dos silentes, quando estes finalmente falam, manifestações que são como ordens.
     A desconfiança que se sente em relação a todas as formas mais livres de governo — um desdém por tais formas, como se elas fossem incapazes de realmente funcionar — vincula-se à ausência do segredo. Os debates nos parlamentos desenrolam-se entre centenas de pessoas; seu verdadeiro sentido reside em seu caráter público. Opiniões as mais diversas confrontam-se e medem-se umas com as outras. Mesmo as sessões declaradas secretas dificilmente permanecem inteiramente em segredo. A curiosidade profissional da imprensa e o interesse do mundo das finanças conduzem frequentemente a indiscrições.
     O indivíduo isolado — crê-se —, ou um grupo bastante reduzido de criaturas ao seu redor, é capaz de guardar um segredo. No tocante a discussões deliberativas, o mais seguro, aparentemente, é que elas se desenrolem no interior de grupos bastante reduzidos, formados com o objetivo de guardar segredo e que tenham estabelecido sanções as mais rigorosas para a traição. Quanto à decisão, porém, o melhor — julga-se — é que ela que a cargo de uma única pessoa. Esta pode inclusive desconhecê-la antes de tomá-la, mas, uma vez tomada a decisão, esta, na qualidade de uma ordem, encontra cumprimento imediato.
     Uma boa parte do prestígio vinculado às ditaduras reside no fato de se atribuir a elas a força concentrada do segredo, a qual, nas democracias, é diluída e repartida entre muitos. Com escárnio, enfatiza-se que nestas tudo é discutido à exaustão. Todos palpitam, todos interferem em tudo e nada acontece, pois tudo era sabido já de antemão. Aparentemente, reclamasse aí da falta de decisão, mas, na realidade, a causa dessa decepção é a ausência do segredo.
     As pessoas estão dispostas a suportar muita coisa, desde que essas coisas se deem de forma violenta e sem conhecimento prévio algum. Quando não se é nada, ir parar na barriga de um poderoso parece constituir um ímpeto servil de um tipo muito especial. Não se sabe o que realmente se passa nem quando irá acontecer: é possível que outros tenham a precedência do ingresso no monstro. Aguarda-se humildemente, estremece-se, nutre-se a esperança de se vir a tornar-se a vítima escolhida. Pode-se identificar nessa postura uma apoteose do segredo. Tudo o mais é subordinado à sua glorificação. O que importa é não tanto o que se passa, mas sim que aconteça com a ardente subtaneidade de um vulcão — inesperada e inapelavelmente.
     Mas o acúmulo de todos os segredos de um só lado e em uma só mão há de ser, por fim, fatal. E fatal não apenas para seu possuidor — o que, em si, não teria maior importância —, mas também para todos os envolvidos, o que é de enorme importância. Todo segredo é explosivo e se intensifica em seu próprio calor interno. O juramento que o sela é precisamente o ponto no qual ele voltará a se abrir.
     Em que grande medida o segredo é perigoso, somente hoje consegue se percebê-lo claramente. Ele se carregou de um poder cada vez maior nas esferas mais distintas, as quais apenas aparentemente independem uma da outra. Nem bem estava morto o ditador contra o qual, reunido, o mundo todo guerreou, e ressurgia já o segredo sob a forma da bomba atômica — mais perigoso do que nunca, e intensificando-se rapidamente em seus rebentos.
     Designa-se concentração do segredo a relação entre o número daqueles por ele afetados e o número dos que o guardam. A partir dessa definição, pode-se facilmente perceber que nossos modernos segredos tecnológicos são os mais concentrados e perigosos que já existiram. Eles afetam a todos, mas somente um pequeno número de pessoas sabe a seu respeito, dependendo de cinco ou dez homens a possibilidade de eles virem a ser empregados.

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ELIAS CANETTI nasceu em 1905 em Ruschuk, na Bulgária, filho de judeus sefardins. Sua família estabeleceu-se na Inglaterra em 1911 e em Viena em 1913. Aí ele obteve, em 1929, um doutorado em química. Em 1938, fugindo do nazismo, trocou Viena por Londres e Zurique. Recebeu em 1972 o prêmio Büchner, em 1975 o prêmio Nelly-Sachs, em 1977 o prêmio Gottfried-Keller e, em 1981, o prêmio Nobel de literatura. Morreu em Zurique, em 1994. 
Além da trilogia autobiográfica composta por A língua absolvida (em A língua absolvida Elias Canetti, Prêmio Nobel de Literatura de 1981, narra sua infância e adolescência na Bulgária, seu país de origem, e em outros países da Europa para onde foi obrigado a se deslocar, seja por razões familiares, seja pelas vicissitudes da Primeira Guerra Mundial. No entanto, mais do que um simples livro de memórias, A língua absolvida é a descrição do descobrimento do mundo, através da linguagem e da literatura, por um dos maiores escritores contemporâneos), Uma luz em meu ouvido (mas talvez seja na autobiografia que seu gênio se evidencie com maior clareza. Com este segundo volume, Uma luz em meu ouvido, Canetti nos oferece um retrato espantosamente rico de Viena e Berlim nos anos 20, do qual fazem parte não só familiares do escritor, como sua mãe ou sua primeira mulher, Veza, mas também personagens famosos como Karl Kraus, Bertolt Brecht, Geoge Grosz e Isaak Babel, além da multidão de desconhecidos que povoam toda metrópole) e O jogo dos olhos (em O jogo dos olhos, Elias Canetti aborda o período de sua vida em que assistiu à ascensão de Hitler e à Guerra Civil espanhola, à fama literária de Musil e Joyce e à gestação de suas próprias obras-primas, Auto de fé e Massa e poder. Terceiro volume de uma autobiografia escrita com vigor literário e rigor intelectual, O jogo dos olhos é também o jogo das vaidades literárias exposto com impiedade, o jogo das descobertas intelectuais narrado com paixão e o confronto decisivo entre mãe e filho traçado com amargo distanciamento), já foram publicados no Brasil, entre outros, seu romance Auto de fé e os relatos As vozes de Marrakech, Festa sob as bombas e Sobre a morte.
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Copyright @ 1960 by Claassen Verlag GmbH, Hamburg
Copyright @ 1992 by Claassen Verlag GmbH, Hildescheim
Título original Masse und Macht

"Não há nada que o homem mais tema do que o contato com o desconhecido."

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e você... conhece alguém que em meio a nossa danação geral em 2020, 2021 e 2022, NÃO sentiu empatia por nós, os sobreviventes, nem mesmo pelos nossos mortos e mortas, e apenas repetia: NÃO sou coveiro!?
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e perguntas sem resposta te incomodam?

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