sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Gabriel G Márquez - Cem Anos de Solidão (18.1) - Pilar Ternera morreu na cadeira de balanço de cipó

Cem Anos de SOLIDÃO


Gabriel Garcia Márquez


(18.1)
para jomí garcía ascot
e maría luisa elío


     PILAR TERNERA morreu na cadeira de balanço de cipó, numa noite de festa, guardando a entrada do seu paraíso. De acordo com a sua última vontade, enterraram-na sem ataúde, sentada na cadeira de balanço, que foi descida com cordas por homens num buraco enorme, cavado no centro da pista de dança. As mulatas vestidas de preto, pálidas de pranto, improvisavam ofícios de trevas enquanto tiravam os brincos, os broches e os anéis, e os iam jogando na fossa, antes de que a selassem com uma lápide sem nome nem datas e lhe colocassem por cima uma montanha de camélias amazônicas. Depois de envenenar os animais, fecharam portas e janelas com tijolos e argamassa e se dispersaram pelo mundo com os seus baús de madeira, atapetados por dentro com figuras de santos, recortes de revista e retratos de namorados efêmeros, remotos e fantásticos, que cagavam diamantes ou comiam canibais ou eram coroados como reis de baralho em alto-mar.  
     Era o fim. No túmulo de Pilar Ternera, entre salmos e miçangas de putas, apodreciam os escombros do passado, os poucos que restavam depois que o sábio catalão liquidou a livraria e voltou à aldeia mediterrânea onde nascera, derrotado pela saudade de uma primavera teimosa. Ninguém poderia pressentir a sua decisão. Chegara a Macondo durante o. esplendor da companhia bananeira, fugindo de uma das tantas guerras, e não lhe ocorrera nada mais prático do que instalar aquela livraria de incunábulos e edições originais em vários idiomas, que os clientes casuais folheavam com receio, como se fossem livros de lixeira, enquanto esperavam a vez para que interpretassem os seus sonhos na casa em frente. Esteve metade da vida no abafado fundo da loja, garranchando a sua letra preciosista em tinta violeta e em folhas que arrancava de cadernos escolares, sem que ninguém soubesse ao certo o que escrevia. Quando Aureliano o conheceu, tinha dois caixotes cheios daquelas páginas disparatadas que de algum modo faziam pensar nos pergaminhos de Melquíades, e dessa época até quando foi embora deve ter enchido um terceiro, de modo que era razoável pensar que não tinha feito nada além disso, durante a sua permanência em Macondo. As únicas pessoas com quem se relacionou foram os quatro amigos, cujos piões e papagaios trocou por livros e os pôs a ler Sêneca e Ovídio quando ainda estavam na escola primária. Tratava os clássicos com uma familiaridade caseira, como se todos tivessem sido em alguma época seus companheiros de quarto, e sabia muitas coisas que simplesmente não se devia saber, como por exemplo que Santo Agostinho usava debaixo do hábito um gibão de lã que não tirou durante quatorze anos, e que Arnaldo de Villanova, o nigromante, ficou impotente desde menino por causa de uma mordida de escorpião. O seu fervor pela palavra escrita era uma urdidura de respeito solene e irreverência folgazã. Nem os seus próprios manuscritos estavam a salvo dessa dualidade. Tendo aprendido catalão para traduzi-los, Alfonso meteu um rolo de páginas nos bolsos, que sempre andavam cheios de recortes de jornal e manuais de profissões estranhas, e certa noite perdeu-os na casa das garotas que se deitavam com eles por fome. Quando o avô sábio soube, em vez de fazer o escândalo temido comentou morrendo de rir que aquele era o destino natural da literatura. Em compensação, não houve poder humano capaz de persuadi-lo a não levar os três caixotes quando regressou à sua aldeia natal, e soltou impropérios cartagineses [1] contra os inspetores da estrada de ferro que tentavam mandá-los como carga, até que conseguiu ficar com eles no vagão de passageiros. “O mundo terá acabado de se foder”, disse então, “no dia em que os homens viajarem de primeira classe e a literatura no vagão de carga.” Isso foi a última coisa que o ouviram dizer. Tinha passado uma semana negra com os preparativos finais da viagem, porque à medida que a hora se aproximava o seu humor ia-se decompondo e mudavam-se as intenções e as coisas que colocava num lugar apareciam noutro, assediado pelos mesmos duendes que atormentavam Fernanda.

— Collons — maldizia. — Estou cagando para a Lei 27 do sínodo de Londres.

     Germán e Aureliano tomaram conta dele. Ajudaram-no como a um menino, prenderam nos seus bolsos, com alfinetes de gancho, as passagens e os documentos de viagem, escreveram uma lista pormenorizada do que ele devia fazer desde que saísse de Macondo até desembarcar em Barcelona, mas assim mesmo ele jogou no lixo, sem perceber, um par de calças com a metade do seu dinheiro. Na véspera da viagem, depois de pregar os caixotes e meter a roupa na mesma mala com que tinha chegado, franziu as pálpebras de marisco, apontou com uma espécie de bênção atrevida os montes de livros com que havia sobrevivido ao exílio e disse aos amigos: 

— Deixo para vocês essa merda! 

     Três meses depois receberam um envelope grande com vinte e nove cartas e mais de cinquenta retratos, que tinham se acumulado nos ócios do alto-mar. Embora não pusesse datas, era evidente a ordem em que tinha escrito as cartas. Nas primeiras, contava com o seu humor habitual as peripécias da travessia, a vontade que lhe dera de atirar pela amurada o comissário que não lhe permitira trazer os três caixotes no camarote, a imbecilidade lúcida de uma senhora que se aterrava com o número 13, não por superstição mas porque lhe parecia um número que ficara por terminar, e a aposta que ganhara no primeiro jantar porque reconhecera na água de bordo o gosto das beterrabas noturnas das fontes de Lérida. Com o correr dos dias, entretanto, a realidade de bordo interessava-o cada vez menos e até os acontecimentos mais recentes e triviais lhe pareciam dignos de saudade, porque à medida que o navio se afastava a memória ia se tornando triste. Aquele processo de nostalgização progressiva era também evidente nos retratos. Nos primeiros parecia feliz, com a sua camisa de inválido [2] e o seu topete nevado, no encapelado outubro do Caribe. Nos últimos, era visto com um sobretudo escuro e um cachecol de seda, pálido por natureza e taciturno pela ausência, na coberta de um navio de angústia que começava a sonambular por oceanos outonais. Germán e Aureliano respondiam as suas cartas. Escreveu tantas nos primeiros meses que agora se sentiam mais perto dele do que quando estava em Macondo e quase se aliviavam da raiva de que tivesse ido embora. No princípio, mandava dizer que tudo continuava igual, que na casa onde nascera ainda havia o caracol rosado, que os arenques secos tinham o mesmo sabor sobre a torrada, que as cascatas da aldeia continuavam se perfumando ao entardecer. Eram outra vez as folhas de cadernos retomadas com garranchinhos roxos [3] , nas quais dedicava um parágrafo especial para cada um. Entretanto, e embora ele mesmo não parecesse perceber, aquelas cartas de recuperação e estímulo se iam transformando pouco a pouco em pastorais de desengano. Nas noites de inverno, enquanto fervia a sopa no fogão, desejava o calor dos fundos da loja, o zumbido do sol nas amendoeiras empoeiradas, o apito do trem na sonolência da sesta, da mesma forma como desejava em Macondo a sopa de inverno no fogão, os pregões do vendedor de café e as cotovias fugazes da primavera. Aturdido por duas saudades colocadas de frente uma para a outra como dois espelhos, perdeu o seu maravilhoso sentido de irrealidade até que terminou por recomendar a todos que fossem embora de Macondo, que esquecessem tudo o que ele ensinara do mundo e do coração humano, que cagassem para Horácio e que em qualquer lugar em que estivessem se lembrassem sempre de que o passado era mentira, que a memória não tinha caminhos de regresso, que toda primavera antiga era irrecuperável e que o amor mais desatinado e tenaz não passava de uma verdade efêmera.  
     Álvaro foi o primeiro a seguir o conselho de abandonar Macondo. Vendeu tudo, até a onça cativa que zombava dos transeuntes no quintal da sua casa, e comprou uma passagem eterna num trem que nunca acabava de viajar. Nos cartões postais que mandava das estações intermediárias, descrevia aos gritos as imagens instantâneas que tinha visto pela janela do vagão, e era como ir rasgando em tiras e jogando ao esquecimento o longo poema da fugacidade: os negros quiméricos nos algodoais da Louisiana, os cavalos alados na grama azul de Kentucky, os amantes gregos no crepúsculo infernal do Arizona, a moça de suéter vermelho que pintava aquarelas nos lagos de Michigan e que lhe deu com os pincéis um adeus não era de despedida mas de esperança, porque ela ignorava que estava vendo passar um trem sem regresso. Em seguida foram Alfonso e Germán, num sábado, com a ideia de voltar na segunda-feira, e não se soube mais deles. Um ano depois da partida do sábio catalão, o único que restava era Gabriel ainda vivendo à deriva, à mercê da eventual caridade de Nigromanta, e respondendo aos questionários do concurso de uma revista francesa, cujo maior prêmio era uma viagem a Paris. Aureliano, que era quem recebia a assinatura, ajudava-o a encher os formulários, às vezes na sua casa, e quase entre os potes de louça e o cheiro de valeriana da única farmácia que restava em Macondo, onde vivia Mercedes, a sigilosa namorada de Gabriel. Era a última coisa que ia ficando de um passado cujo aniquilamento não se consumava, que continuava se aniquilando indefinidamente, consumindo-se dentro de si mesmo, se acabando a cada minuto mas sem acabar de se acabar nunca. O povoado chegara a tais extremos de inatividade que quando Gabriel ganhou o concurso e para Paris com duas mudas de roupa, um par de sapatos e as obras completas de Rabelais, teve que fazer sinal ao maquinista a fim de que o trem se detivesse para apanhá-lo. A antiga Rua dos Turcos era agora um lugar de abandono, onde os últimos árabes se deixavam levar para a morte pelo costume milenar de se sentar à porta, embora fizesse muitos anos tinham vendido a última jarda de diagonal e nas vitrinas sombrias só restassem os manequins decapitados. A cidade da companhia bananeira, que talvez Patricia Brown tentasse evocar para os netos nas noites de intolerância e pepinos no vinagre de Prattville, Alabama, era uma planície de capim selvagem.
     O padre ancião que substituíra o Padre Angel, e cujo nome ninguém se deu o trabalho de averiguar, esperava a piedade de Deus estendido de papo para o ar numa rede, atormentado pela artrite e pela insônia da dúvida, enquanto os lagartos e as ratazanas disputavam a herança do templo vizinho. Naquele Macondo esquecido até pelos pássaros, onde a poeira e o calor se fizeram tão tenazes que dava trabalho respirar, enclausurados pela solidão e pelo amor e pela solidão do amor puma casa onde era quase impossível dormir por causa do barulho das formigas ruivas, Aureliano e Amaranta Úrsula eram os únicos seres felizes, e os mais felizes sobre a terra. Gastón voltara a Bruxelas. Cansado de esperar o avião, um dia meteu numa maleta as coisas indispensáveis e o arquivo da correspondência, e foi com o propósito de voltar por antes de que os seus privilégios fossem cedidos a um grupo de aviadores alemães que tinham apresentado às autoridades provinciais um projeto mais ambicioso que o seu. Desde a tarde do primeiro amor, Aureliano e Amaranta Úrsula tinham continuado a aproveitar os escassos descuidos do esposo , a se amar com ardores amordaçados em encontros ocasionais, e quase sempre interrompidos por regressos imprevistos. Mas quando se viram sozinhos na casa sucumbiram no dos amores atrasados. Era uma paixão insensata, alucinada, que fazia tremerem de pavor na cova os ossos de Fernanda e os mantinha num estado de excitação perpétua. Os gemidos de Amaranta Úrsula, as suas canções agônicas, estavam do mesmo jeito às duas da tarde na mesa da sala de estar e às duas da madrugada na despensa. “O que mais me aborrece”, ria, “é o tempo enorme que perdemos.” No aturdimento da paixão, viu as formigas devastando o jardim, saciando a sua fome pré-histórica nas madeiras da casa, e viu a torrente de lava viva se apoderando outra vez da varanda, só se preocupou em combatê-la quando a encontrou no quarto. Aureliano abandonou os pergaminhos, não tornou a sair de casa, e respondia de qualquer maneira às cartas sábio catalão. Perderam o sentido da realidade, a noção tempo, o ritmo dos hábitos cotidianos. Tornaram a fechar portas e janelas para não demorarem nos trâmites de desnudamento, e andavam pela casa como Remedios, a bela, sempre quis estar, e se espojavam em pelo nos barreiros do quintal, e uma tarde por pouco não se afogaram quando se amavam na caixa-d’água. Em pouco tempo fizeram mais que as formigas ruivas: quebraram os móveis da sala, rasgaram com as suas loucuras a rede que resistira aos tristes amores de acampamento do Coronel Aureliano Buendía e abriram os colchões e os esvaziaram no chão, para se sufocar em tempestades de algodão. Embora Aureliano fosse um amante tão feroz como o seu rival, era Amaranta Úrsula quem comandava com o seu engenho disparatado e a sua voracidade lírica aquele paraíso de desastres, como se tivesse concentrado no amor a indomável energia que a tataravó consagrara à fabricação de animaizinhos de caramelo. Além disso, enquanto ela cantava de alegria e morria de rir das suas próprias invenções, Aureliano ia se tornando mais absorto e calado, porque a sua paixão era ensimesmada e calcinante. Entretanto, ambos chegaram a tais extremos de virtuosismo que quando se esgotavam na exaltação tiravam melhor partido do cansaço. Entregaram-se à idolatria dos corpos, ao descobrir que os tédios do amor tinham possibilidades inexploradas, muito mais ricas que as do desejo. Enquanto ele amaciava com claras de ovo os seios eréteis de Amaranta Úrsula, ou suavizava com gordura de coco as suas coxas elásticas e o seu ventre de pêssego, ela brincava de boneca com a portentosa criatura de Aureliano e pintava-lhe olhos de palhaço com batom e bigodes de turco com lápis de sobrancelhas e armava-lhe laços de organza e chapeuzinhos de papel prateado. Uma noite se lambuzaram dos pés à cabeça com pêssegos em calda, lamberam-se como cães e se amaram como loucos no chão da varanda, e foram acordados por uma torrente de formigas carnívoras que se dispunham a devorá-los vivos.
     Nas pausas do delírio, Amaranta Úrsula respondia às cartas de Gastón. Sentia-o tão distante e ocupado que o seu regresso lhe parecia impossível. Numa das primeiras cartas, ele contou que na realidade os sócios tinham mandado o aeroplano, mas que uma agência marítima de Bruxelas o embarcara por equívoco com destino a Tanganica, onde o entregaram à dispersa comunidade dos Macondos. Aquela confusão ocasionou tantos contratempos que só a recuperação do aparelho podia demorar dois anos. Assim, Amaranta Úrsula descartou à possibilidade de um regresso inoportuno. Aureliano, por outro lado, não tinha outro contato com o mundo senão as cartas do sábio catalão e as notícias de Gabriel que recebia através de Mercedes, a farmacêutica silenciosa. No princípio eram contatos reais. Gabriel pedira o reembolso da passagem de volta para ficar em Paris, vendendo os jornais velhos e as garrafas vazias que as camareiras tiravam de um hotel lúgubre da Rua Dauphine. Aureliano podia imaginá-lo então com um suéter de gola alta que só tirava quando os terraços de Montparnasse se enchiam de namorados primaveris, e dormindo de dia e escrevendo de noite para enganar a fome, no quarto cheirando a espuma de couve-flor fervida onde haveria de morrer Rocamadour. Entretanto, as notícias se foram fazendo pouco a pouco tão incertas, e tão esporádicas e melancólicas as cartas do sábio, que Aureliano se acostumou a pensar neles pomo Amaranta Úrsula pensava no marido, e ambos ficaram boiando num universo vazio, onde a única realidade cotidiana e eterna era o amor. De repente, como um estampido naquele mundo de inconsciência feliz, chegou a notícia da volta de Gastón. Aureliano e Amaranta Úrsula abriram os olhos, sondaram as almas, se olharam na cara com a mão no coração e compreenderam que estavam tão identificados que preferiam a morte à separação. Então, ela escreveu ao marido uma carta de verdades contraditórias, na qual reiterava o seu amor e as suas ânsias de tornar a vê-lo, ao mesmo tempo que admitia como desígnio fatal a impossibilidade de viver sem Aureliano. Ao contrário do que ambos esperavam, Gastón mandou uma resposta tranquila, quase paternal, com duas folhas inteiras consagradas a preveni-los contra as veleidades da paixão e um ágrafo final com votos inequívocos de que fossem tão felizes como ele o tinha sido na sua breve experiência conjugal. Era uma atitude tão imprevista que Amaranta Úrsula se sentiu humilhada diante da ideia de ter proporcionado ao marido pretexto que ele desejava para abandoná-la à sua sorte.

continua página 248...
Cem Anos de Solidão (18.1) - Pilar Ternera morreu na cadeira de balanço de cipó
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[1] Explicação do autor à tradutora: “É uma arbitrariedade minha: suponho que a língua catalã é a mesma que se usava em Cartago, língua fenícia de mercadores malcriados. A tradução deve ser literal.”
[2] Explicação do autor à tradutora: “Vi a foto e juro que a camisa parecia de inválido, mas não sei por que: era branca, de colarinho muito grande e talvez de um número maior que o seu. É como os pijamas que vestem nas pessoas nos hospitais, como os camisolões dos bobos, enfim, como você quiser.”
[3] Ao empregar garrapatitas moradas, Gabriel García Márquez faz um jogo verbal: garrapatas é carrapato, enquanto que garrapato é garrancho. É interessante notar que para este mesmo significado existe a palavra escarabajo, que quer dizer também escaravelho. Páginas atrás, o autor se referia ao alfabeto sânscrito como “aranhinhas” e “carrapatos”. A importância contrapontística existencial dos insetos no romance é facilmente verificável. Basta lembrar as borboletas amarelas de Mauricio Babilonia, os escorpiões que rondavam o banho de Meme e de Rebeca, a entomologia de Gastón, as formigas ruivas decisivas neste capítulo final, as sanguessugas que quase matam Úrsula (v. a sua relação com os carrapatos), a mordida de escorpião que deixa Arnaldo de Vilanova impotente etc... Por outro lado, a importância existencial dos manuscritos no romance é decisiva — fundamentalmente os pergaminhos de Melquiades — e os escritos do sábio catalão, assim como a sua própria figura, funcionalmente não passam de variações dos primeiros. De modo que as garrapatitas moradas de Gabriel García Márquez assumem um significado ético na cosmovisão do romance, que ultrapassa de longe a mera metáfora sensorial da semelhança de forma expressa pelo equívoco verbal. É a não gratuidade de estilo da expressão, intraduzível, que nos obriga a esta nota. (N.T.)

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